quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Terra Vermelha - Domingo Pellegrini


Terceiro livro lido para o #desafiolivrada2016, este para a categoria "um livro de um autor do seu estado". Sou paranaense, da região norte, onde se passa a história do livro, então não tinha opção melhor. Um romance histórico e um mito de origem ao mesmo tempo.

Mesmo não sendo londrinense, não tinha como não me identificar com o livro, com seus personagens e lugares. Quem vive nessa região, com certeza, já ouviu uma história semelhante, dos seus avós ou bisavós que vieram "colonizar" a região, derrubar a mata para fazer cafezal.
Pellegrini conta a saga do povoamento da região norte do Paraná pela vida do casal José e Tiana, que vieram do interior de São Paulo para a chamada "terra-vermelha", motivados pela promessa de uma vida melhor, como muitos fizeram.

O autor descreve os acontecimentos, de forma grandiosa, é fácil identificar figura conhecidas, sobrenomes famosos, mesclando a história do município com a história do Brasil. Um pouco cansativo no excesso de detalhes, mas ainda assim, gostoso de ler.

O autor aborda também questões políticas importantes, o esvaziamento do campo e o aumento de favelas na cidades, as questões ecológicas que a derrubada da mata acarretou. Tudo permeado pelo angústia da morte iminente do personagem principal. 

Uma história muito bonita. Para quem vive aqui traz uma série de sentimentos, muitas vezes vi meus avós nos personagens do livro, mas que, com toda certeza, é um grande romance para ser apreciado por pessoas de qualquer lugar.

PELLEGRINI, Domingos. Terra Vermelha. Editora Leya. São Paulo, 2013.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Desonra - J.M. Coetzee


Desonra é o livro que recebi esse mês pela TAG - Experiência Literaria (http://www.taglivros.com/), que funciona assim: você assina a Tag e todo mês uma caixinha vai chegar na sua casa, contendo um livro, uma revista e mais algumas coisas relacionadas ao livro e ao autor. O divertido é que os temas são bem variados e eles só divulgam algumas pistas sobre o livro escolhido, que é sempre uma surpresa. Vale a pena dar uma conferida.

O autor é o ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2003, J. M. Coetzee, e o livro é daqueles que te deixam inquieto, pensando na condição humana e suas mazelas.

Ele conta a história do professor David Lurie e, é claro, de suas desonras, que não são poucas. David está tentando se encontrar na nova realidade em que se encontra a África do Sul após o apartheid, novos valores, novos problemas, novos enfrentamentos.

Costumamos ouvir sobre os grandes momentos da humanidade, a queda do muro de Berlim, as bombas nucleares no Japão, o fim do apartheid, mas dificilmente ouvimos sobre o que aconteceu com as pessoas que viveram esses momentos, como isso afetou suas vidas, não só imediatamente após os acontecimentos, mas ao longo do tempo, como reconstruíram sua vivência em sociedade.

Mesmo como estudante de história, esse tema nunca foi abordado durante a minha graduação. Como o fim do apartheid afetou a todos? Sabemos que isso colocou fim à segregação racial, ótimo, mas como ficam as pessoas nessa nova realidade? A ordem social existente sofreu uma mudança e todos precisaram se adaptar a ela e também enfrentá-la.

O professor David vai sentir na pele essas mudanças, no comportamento dos seus colegas de trabalho, nas relações entre as pessoas e também na violência que se espalha nas áreas rurais da África do Sul naquele momento.

Para mim o livro aborda também a relação entre as expectativas que temos sobre nós mesmos e as pessoas a nossa volta, que pode, muitas vezes, não coincidir com a realidade. Às vezes esperamos determinados comportamentos de pessoas que nos são queridas, mas elas vão agir da maneira que querem, que julgam correta e muitas vezes só nos cabe ser espectadores. 

COETZEE, J.M.Desonra. Tradução: José Rubens Siqueira.Editora: Companhia das Letras. São Paulo, 2000.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Dexter Está Morto - Jeff Lindsay (Atenção: contém alguns spoilers)


Minha primeira reação ao terminar esta leitura foi me perguntar: pode um livro ser bom e ruim ao mesmo tempo?

Vou começar pelo o que eu achei bom. Primeiro preciso explicar que eu adoro ler sobre serial killers, reais e fictícios,e, baseada em algumas leituras que já fiz sobre o tema, eu tinha em mente o que eu gostaria que acontecesse com o Dexter no final da série, aquilo que eu considerava lógico. 

Neste ponto o livro não foi decepcionante, acho que o autor se manteve coerente. Assim como nos outros livros, a história é narrada pelo próprio Dexter e a ele só interessa os seus próprios problemas. Ele não se importa com o que acontece com os outros personagens ao seu redor. Mesmo na sequencia final, quando ele precisa resgatar seus filhos e seu sobrinho, a motivação dele é salvar a própria pele. É a atitude que eu esperava de um serial killer.

O ruim é que o livro acaba de forma abrupta, deixando os leitores, pelo menos eu, com muito curiosidade. Eu consigo compreender a intenção do autor de não comprometer a coerência da história respondendo algumas perguntas que ficam soltas, mas fica aquele sensação de eu preciso saber mais. 

Falando um pouco sobre a edição do livro, da editora Planeta. A capa e a jacket são muito bonitas. Entretanto, fica evidente que a diagramação teve que dar uma colaborada para que o livro tivesse trezentas e poucas páginas. Capítulos terminando no começo da página e o inicio de cada capítulo ocupando grande parte da próxima página deixam isso bem óbvio.

Enfim, eu esperava mais do livro, mas não chegou a ser uma completa decepção. O destino do querido e adorado Dexter é coerente, mas não é satisfatório.

LINDSAY, Jeff. Dexter Está Morto. Editora Planeta, 2015.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O Iluminado - Stephen King



Foi uma das poucas vezes em que eu consegui ler um livro depois de ver o filme e consegui construir imagens para os personagens diferentes dos atores que interpretaram os papéis no cinema. A forma como os personagens são descritos no livro dão essa possibilidade, é um livro tão bem escrito, não li nada do Stephen King que não fosse, que vai aos poucos apagando a imagem cinematográfica que você pode ter da história.

Como dissociar o livro do filme é difícil, vou começar já falando sobre isso. Eu acho o filme bom, mas a história não funciona tão bem nesse veículo e por isso a adaptação acaba ficando pobre. Na imaginação do leitor alguns dos acontecimentos do livro se tornam mais plausíveis, como, por exemplo, topiarias que ganham vida e uma festa de fantasmas. As coisas podem acabar pendendo pra um lado meio cômico no meio visual, e acho que isso explica um pouco o porquê das diferenças ente o filme e o livro. É preciso criar um roteiro viável.

O livro, com certeza, é muito mais assustador que o filme. Pra quem não conhece a história, Jack, Wendy e o filho deles, Danny, vão passar o inverno no hotel Overlook. O hotel, onde Jack vai trabalhar como zelador, permanece fechado no inverno, e tem suas histórias e seus fantasmas do passado, que, combinados com o isolamento da família e as habilidades especiais de Danny, vão criando uma situação catastrófica. É tudo o que você pode esperar de um bom livro de terror.

Dizem que a produção do filme causou desentendimentos entre Stanley Kubrick e Stephen King, já que o diretor não gostou e não usou o roteiro criado por King para o filme e o escritor não teria gostado da atuação de Jack Nicholson e do próprio filme. A Wendy do filme também não agradou Stephen King.

A parte ruim da leitura ficou por conta da edição pelo selo "Suma de Letras" da Editora Objetiva. Pelo menos o exemplar que eu tenho apresentou alguns problemas: algumas páginas se soltaram e em uma página apareceu o mesmo nome duas vezes escrito de duas formas diferentes.

Tirando estes pequenos problemas o livro é excelente, e, se você já viu o filme, leia e o livro e tenha gratas surpresas.

KING, Stephen. O Iluminado. tradução Betty Ramos de Albuquerque. Editora Objetiva, 2012.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Casa das Sete Mulheres - Letícia Wierzchowski


Segundo livro que eu leio para o desafio 'Livrada 2016'. Este para a categoria número 8: uma ficção histórica.

Claro que não tem como ler esse livro sem se lembrar da minissérie com o mesmo título produzida pela Rede Globo em 2003. Mesmo que a descrição das características físicas dos personagens no livro, muitas vezes, seja distante da fisionomia dos atores que os interpretaram, é impossível dissociar o ator do personagem. Por exemplo: no livro Manuela tem cabelos pretos, mas durante toda a leitura a imagem que sempre vinha à minha mente quando se tratava dela era a da atriz Camila Morgado com aquele cabeleira ruiva.

Vale lembrar que a minissérie é uma adaptação da história do livro, logo, não é fiel ao texto do livro. Na TV a trama gira em torno dos amores das mulheres mais novas da família de Bento Gonçalves, permeada por várias cenas de guerra. Os românticos que me desculpem, mas muitas vezes a história da minissérie fica até mesmo inverossímil. O comportamento das garotas, muitas vezes, não condiz com o período em que a história se passa. O livro tem um cuidado maior nesse sentido.

O livro é delicado, trata das angústias da espera dessas mulheres, aguardando seus maridos, pais, irmãos, primos. Os romances são tratados de forma sútil e delicada e não são o mais importante da obra. Mesmo o romance de Manuela e Garibaldi é sutil, e o foco é a espera, a ação do tempo sobre os membros da família e o convívio diário com efeitos da guerra.

Ao contrário do que acontece na minissérie, a Estância da Barra não era um lugar movimentado, sempre recebendo os generais, capitães e soldados. As notícias são poucas, chegam em longos intervalos. O destino de cada uma das mulheres depende da maneira que encontram para lidar com a solidão de todos aqueles anos de espera.

Wierzchowski, Letícia. A cada das sete mulheres. Editora Record, 2010.

Participe do desafio livrada:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Peanuts Completo - Charles Schulz


Foi lançado recentemente aqui no Brasil o oitavo volume da série Peanuts Completo. No Brasil, a série, que passou a ser publicada em 2009, tem, no total, 25 volumes, e cada volume traz as tirinhas publicadas em dois anos. O oitavo volume abrange as tirinhas publicadas nos anos de 1965 e 1966.

Cada volume da série tem a introdução escrita por um autor diferente, que conta a sua relação com os quadrinhos e os personagens da série. Neste volume a introdução foi escrita por Hal Hartley, cineasta e roteirista norte-americano.

O único problema é aguardar o lançamento de cada novo volume em um intervalo de alguns meses. A L&PM publica os volumes avulsos e também, para os que aguentam esperar, em box de dois volumes. A notícia boa é que ainda teremos Peanuts por alguns anos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dexter em Cena - Jeff Lindsay


Eu comecei a ler esse livro em 2014,e, por razões que eu desconheço, abandonei a leitura do querido e amado Dexter. Acho que eu não queria que ele acabasse. E, dezembro do ano passado, passeando por uma livraria, encontrei o oitavo livro da série, 'Dexter está Morto'. E daí não teve jeito. Tive que voltar a ler o 'Dexter em Cena'.

O que pode ser dito sem dar spoiler, está escrito naquela sinopse atrás do livro. Dexter e sua irmã Deborah recebem a missão de orientar dois atores de TV que vão gravar um seriado policial em Miami. Deborah fica encarregada de instruir a famosa atriz Jackie Forrest e Dexter precisa ensinar ao ator Robert Chase o possível sobre o trabalho forense que ele desenvolve, levando em conta que Dexter examina borrifos de sangue e o ator em questão não suporta ver sangue.

Claro que a trama vai envolver esses astros.

Eu sou muito fã da série e é difícil dizer o que vou dizer agora, mas vamos lá. Este sétimo livro é um pouco tedioso. Demora muito, muuuito, para que alguma coisa comece a acontecer. E é muito difícil também ver o Dexter sendo tão paspalho. Não é o que eu espero de um serial killer. Acho que até o Passageiro Sombrio se cansou do Dexter neste livro.

Em determinados momentos as conversas internas de Dexter ficam muito cansativas. Parecem até desnecessárias. Outros personagens são pouco explorados, mas, também, acredito que a concentração da narrativa somente no Dexter, principalmente nos seus pensamentos, tenha um objetivo. No final do livro isso começa a fazer algum sentido, mas em alguns momentos cansa.

Aquele ritmo acelerado, que costuma aparecer nos outros livros, vai aparecer nas 80 ou 100 páginas finais, que são páginas realmente excelentes, de tirar o fôlego. O final é realmente surpreendente, vale a pena mesmo. Acredito que a história caminha par aquilo que eu sempre achei que é o final que o Dexter merece.


Lindsay, Jeff. Dexter: em cena; tradução: Solange Pinheiro. Editora Planeta, 2013