Desonra é o livro que recebi esse mês pela TAG - Experiência Literaria (http://www.taglivros.com/), que funciona assim: você assina a Tag e todo mês uma caixinha vai chegar na sua casa, contendo um livro, uma revista e mais algumas coisas relacionadas ao livro e ao autor. O divertido é que os temas são bem variados e eles só divulgam algumas pistas sobre o livro escolhido, que é sempre uma surpresa. Vale a pena dar uma conferida.
O autor é o ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2003, J. M. Coetzee, e o livro é daqueles que te deixam inquieto, pensando na condição humana e suas mazelas.
Ele conta a história do professor David Lurie e, é claro, de suas desonras, que não são poucas. David está tentando se encontrar na nova realidade em que se encontra a África do Sul após o apartheid, novos valores, novos problemas, novos enfrentamentos.
Costumamos ouvir sobre os grandes momentos da humanidade, a queda do muro de Berlim, as bombas nucleares no Japão, o fim do apartheid, mas dificilmente ouvimos sobre o que aconteceu com as pessoas que viveram esses momentos, como isso afetou suas vidas, não só imediatamente após os acontecimentos, mas ao longo do tempo, como reconstruíram sua vivência em sociedade.
Mesmo como estudante de história, esse tema nunca foi abordado durante a minha graduação. Como o fim do apartheid afetou a todos? Sabemos que isso colocou fim à segregação racial, ótimo, mas como ficam as pessoas nessa nova realidade? A ordem social existente sofreu uma mudança e todos precisaram se adaptar a ela e também enfrentá-la.
O professor David vai sentir na pele essas mudanças, no comportamento dos seus colegas de trabalho, nas relações entre as pessoas e também na violência que se espalha nas áreas rurais da África do Sul naquele momento.
Para mim o livro aborda também a relação entre as expectativas que temos sobre nós mesmos e as pessoas a nossa volta, que pode, muitas vezes, não coincidir com a realidade. Às vezes esperamos determinados comportamentos de pessoas que nos são queridas, mas elas vão agir da maneira que querem, que julgam correta e muitas vezes só nos cabe ser espectadores.
COETZEE, J.M.Desonra. Tradução: José Rubens Siqueira.Editora: Companhia das Letras. São Paulo, 2000.
COETZEE, J.M.Desonra. Tradução: José Rubens Siqueira.Editora: Companhia das Letras. São Paulo, 2000.

Nenhum comentário:
Postar um comentário