quarta-feira, 20 de abril de 2016

Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski


Finalmente, depois de mais de um mês, eu terminei de ler "Crime e Castigo". Acho que não é necessário dizer que é um livro incrível, afinal, ele não se tornou um clássico à toa.

Acredito que a minha demora na leitura aconteceu porque o livro foi construído de uma forma muito completa. As primeiras partes da obra, que é dividida em seis partes, se dedicam a mostrar os conflitos internos do personagem principal. A situação econômica do Raskólnikov é assustadora, o que torna a leitura difícil.

Há muitos elementos importantes nesse livro, e ele coloca o leitor diante de dilemas éticos e morais. Como a pobreza em que os personagens estão inseridos. Eu, pelo menos, comecei a torcer pra um criminoso sair impune, e talvez fosse essa a intensão do Dostoiévski.

A obra foi publicada em 1866 e mostra um lado sinistro da sociedade russa daquele período. A pobreza, a prostituição, o alcoolismo, as prisões e os exílios na Sibéria. Eu li a edição da coleção de clássicos da editora Abril, que traz ao final dos dois volumes algumas informações sobre o autor e sobre a obra, fundamentais para compreender o contexto de produção do livro e como ele tem relação com a vida do autor.

Não sei se gosto muito do final. Acho que o livro não podia terminar daquele jeito com todas as discussões que o permeiam. Mas não é algo que chega a tirar o brilho da obra.

Fiódor Dostoiévski. Crime e Castigo. Tradução: Rosário Fusco. Editora Abril, Rio de Janeiro, 2010.

domingo, 3 de abril de 2016

Infância - Graciliano Ramos


Mais um livro lido para o "Desafio Livrada 2016" promovido pelo blog "Livrada" (http://livrada.com.br/2016/01/04/desafio-livrada-2016/), este para a categoria "um romance de formação". A primeira impressão que eu tive foi de muita confusão, e parecia que não fazia muito sentido a maneira como o livro se apresenta.

O autor narra as suas memórias de criança, primeiro vivendo em Alagoas, depois em Pernambuco e posteriormente em Alagoas novamente. É uma história dura, que traz a aspereza do pai do autor, seu primeiro contato com a morte, sua dificuldade em aprender e finalmente como seu encantamento pelos livros surgiu.

Durante toda a leitura estranhei a falta de uma linearidade na narrativa. Os capítulos não têm uma ligação clara e é difícil se localizar temporalmente em alguns momentos. Mas, para a minha alegria, a edição que eu li (não sei se isso está presente em todas), tem um posfácio esclarecedor escrito por Cláudio Leitão.

A obra, inicialmente, foi lançada em capítulos avulsos em um periódico de Alagoas, o que destaca a autonomia relativa de cada um. Por esse motivo, a linearidade da narrativa se perde. É como se o autor estivesse contando uma história da sua infância em cada periódico, como se ele conversasse com o leitor e as memórias fossem surgindo. 

Apesar dessa confusão o livro é muito bonito, a maneira como o autor descreve suas dificuldades na escola é tocante e deixa muito claro o quanto a leitura pode mudar a vida de uma pessoa.

Graciliano Ramos. Infância. Editora Record, 2013.