sábado, 26 de março de 2016

A Improvável Jornada de Harold Fry - Rachel Joyce


'A Improvável Jornada de Harold Fry' foi o livro enviado pela TAG - Experiências Literárias no mês de março. Um livro suave e encantador, mas que, ao mesmo tempo, carrega mensagens muito fortes.

Harold Fry é um senhor aposentado que vive com sua esposa Maureen em uma cidade no sul da Grã-Bretanha. Sua jornada começa quando ele recebe uma carta de uma antiga amiga de trabalho, que está com câncer em estágio terminal, se despedindo.

A incapacidade de se despedir por uma carta leva Harold a iniciar uma jornada, física e psicológica, pelo seu passado. E, obviamente, isso leva o leitor a fazer uma jornada pelo seu passado também.

O personagem principal é um homem atormentado pelo silêncio que acompanha sua vida desde a infância, pelo rumo insignificante que que ela parece ter tomado e pela dura realidade que se esconde por trás de um casamento aparentemente tranquilo.

É um livro que fala sobre o poder da memória e sobre como muitas vezes ela nos sufoca e engana. Sobre como antigos sofrimentos e amarguras parecem que nunca vão nos deixar. Por outro lado, o papel do esquecimento no funcionamento da memória também está presente na obra. Pequenos detalhes, que no fundo são importantes, parecem se perder, e eventos muitas vezes precisam ser esquecidos para que possamos continuar vivendo.

O mais tocante na história de Harold Fry é a constatação de que a vida sempre continua e constantemente se renova, e de que muitas vezes perdemos tempo demais deixando ressentimentos tomarem conta e silêncios se prorrogarem. A sua jornada é, acima de tudo, um caminho de perdão e cura.

A edição que li foi publicada pela Suma de Letras, selo da Editora Objetiva, e está muito bem feita. As ilustrações são lindas e o mapa no final do livro é muito útil.

Rachel Joyce. A improvável jornada de Harold Fry. Tradução: Johann Heyss. Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2013. 

  

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um corpo na biblioteca - Agatha Christie

É o primeiro livro da Agatha Christie que eu li, e é o primeiro de doze. Adquiri recentemente essas lindas caixas do selo 'Nova Fronteira' da Ediouro Publicações, então teremos pelo menos doze resenhas de livros da autora. A edição está bem legal, tanto a caixa quanto o livro são em capa dura. Tem alguns probleminhas, mas comentarei sobre isto depois.


Eu resolvi começar a ler os livros na ordem em que eles vieram nas caixas, porque o TOC não me permite fazer de outra forma rs.


Considerando o sucesso da autora e o fato de que já é de conhecimento geral sobre o que ela escreve, o livro não é surpreendente. Mas é uma obra muito bem escrita, a leitura é fluida, acho que é uma ótima opção pra quando você quer ler algo rápido, ou quer ler algo mais leve para intercalar com uma leitura de uma livro mais complicado. 

E, embora tudo pareça muito previsível, o final é bem surpreendente, e as reviravoltas ao longo da história que tem conduzem de um suspeito a outro são muito bem executadas.

O projeto gráfico do livro e de toda a coletânea é incrível, tirando alguns problemas que passaram despercebidos pelo revisor, como, por exemplo, 'curro' escrito no lugar de 'carro', mas nada que comprometa seriamente a beleza da obra.

Agatha Christie. Um corpo na biblioteca: um caso de Miss Marple. Tradução: Edilson Alkimin Cunha. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2014.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Holy Cow - David Duchovny


Claro que a princípio o que me chamou atenção nesse livro foi o fato de seu autor, o ator David Duchovny, interpretar o agente Mulder na série de TV "Arquivo X", maravilhosa, só pra constar. O meu espanto já começou com as credenciais literárias do David Duchovny, que até então eu desconhecia. Ele é bacharel em Literatura Inglesa pela Universidade de Princeton e mestre em Literatura Inglesa pela Universidade de Yale. Bem impressionante.

O livro conta a jornada da vaca Elsie Bovary, que após descobrir o que os seres humanos fazem com as vacas, decide ir para a Índia, onde as vacas são consideradas sagradas. À sua jornada se unem um porco judeu, que pretende chegar à Israel, e um peru que quer chegar na Turquia. 

Comecei a leitura com um pé atrás, pela sinopse me parecia que o autor ia acabar ofendendo deliberadamente alguns grupos, um porco judeu com toda certeza soa como uma provocação. Mas não é esse o foco do livro.

De forma muito bem humorada o livro vai debochar dos nossos costumes, como por exemplo, a nossa relação com a tecnologia, e o desperdício de alimentos. Ele realmente nos instiga a pensar na nossa relação com os recursos naturais do planeta.

A Elsie não vai somente narrar a sua jornada, mas vai também tecer muitos comentários sobre a própria escrita do livro e fazer boas críticas ao mercado editorial. Referências à cultura pop também não faltam no livro. Vários capítulos têm nome de títulos de música. As ilustrações do livro também são bem legais.


Uma leitura agradável. Só o papel branco que incomoda um pouco, mas como o livro é curto, não chega a ser um grande problema. A edição está bem bonita, a contra capa tem estampa de vaquinha e eu gosto desses pequenos detalhes. Acredito que os fãs do David Duchovny não vão se decepcionar.

David Duchovny. Holy Cow: uma aventura animal. Ilustração: Natalya Balnova. Tradução: Renata Pettengill. Editora Record, Rio de Janeiro, 2016.

terça-feira, 8 de março de 2016

Orgulho e Preconceito - Jane Austen


Não tenho uma forte inclinação para romances, e, talvez, por esse motivo, eu tenha demorado tanto para ler 'Orgulho e Preconceito'. Nem mesmo o filme eu assisti, mas, por ser um clássico, o escolhi para a categoria novela do #desafiolivrada2016.

Pelo pouco que eu tinha visto do filme, pouco mesmo, esperava uma história muito mais desastrosa. Não sei por que, mas na minha cabeça era uma história de amor que não terminava da maneira mais comumente vista nos romances. Obviamente todos sabem que eu me enganei.

É fácil perceber por que a obra está entre os clássicos da literatura, pois o retrato da sociedade inglesa no século XVIII apresentada no livro é muito interessante. Os preconceitos classistas, o incômodo que a ascensão da burguesia comerciante gerava na aristocracia local e, principalmente, o ridículo de certas obrigações e interações sociais.

Lady Catherine incorpora os ideais aristocráticos. Conservadora e autoritária, considera aqueles que não tem uma linhagem nobre inferiores. Já Mr. e Mrs. Gardiner representam uma burguesia comercial que anseia por bons relacionamentos sociais e buscam se adaptar ao que reputam ser os bons modos aristocráticos, mas que nada lhes garante socialmente.

São alguns dos personagens que vão circular em torno do romance principal da obra, Elizabeth e Mr. Darcy, que, por sua vez, vão sofrer as influências desses extremos.

Os personagens são muito bem desenvolvidos ao longo do livro, sem aquele excesso de detalhes e com diálogos que vão apresentando as características de cada personagem progressivamente, o que deixa a leitura agradável e ágil.

É muito difícil escrever sobre um clássico. É fácil encontrar estudos aprofundados sobre a obra e eu, com certeza, não sou uma especialista, sou somente uma entusiasta rsrsrs... O que digo, sem medo de errar, é que se trata de uma obra que trata de muito mais do que um romance, e nos permite ver ter uma boa ideia sobre uma época de tradições e costumes muito distantes da nossa realidade.

PS: A edição que eu li é da coleção Clássicos, da editora Abril. Muito bem feita, capa dura, a diagramação e o tamanho da fonte são confortáveis à leitura e no final tem uma pouco da vida e obra da autora.

Jane Austen. Orgulho e Preconceito.Tradução: Lúcio Cardoso. Editora Abril, São Paulo, 2010.


sexta-feira, 4 de março de 2016

A Queda de Atlântida - A Teia de Trevas / Marion Zimmer Bradley


" As trevas podem ensinar coisas que a luz nunca viu e nunca será capaz de ver..."


Segundo volume da obra, mais difícil de parar de ler do que o anterior, e, ao mesmo tempo deixa aquela sensação de "que pena que acabou" no final.

Embora o livro trate da força feminina, as personagens sejam independentes, fortes, e façam suas escolhas livremente, o livro vai tratar também de como essas mulheres tomam decisões tolas e impensadas por amor, tanto em suas relações com os homens quanto na relação entre elas. E as consequências de suas escolhas vão reverberar por várias gerações, unindo o carma de todos os personagens.

Uma das coisas que mais me chamou atenção no livro é a forma como a magia é tratada. Não é simplesmente um dom sobrenatural concedido a algumas pessoas, é a capacidade de controlar sua própria força psíquica. E essa capacidade é trabalhada ao longo da vida, com estudos e trabalho árduo.

Tantas coisas são abordadas nesse livro, questionamentos sobre a maternidade, as injustiças de uma sociedade dividida em classes, uma série de sofrimentos femininos físicos e mentais. Mas não quero escrever muito porque eu não gosto de dar spoilers.

As palavras da autora no posfácio encerram lindamente a obra. Ela conta como construiu, desde a infância, esse universo fantástico na sua cabeça. E nos deixa com uma indagação interessante: De onde vêm os sonhos?


Marion Zimmer Bradley. A Queda de Atlântida - A Teia de Trevas. Tradução: Alfredo Barcellos Pinheiro de Lemos. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1987.

terça-feira, 1 de março de 2016

A Queda de Atlântida - A Teia de Luz / Marion Zimmer Bradley


Mais um dos livros do #desafiolivrada2016, lido para a categoria um livro esgotado. É uma obra em dois volumes, e este é o primeiro. O segundo é "A Teia de Trevas". Eu não sei quando este livro foi lançado pela última vez, mas, pelo o que eu procurei, não há muitas edições dele. Este eu comprei no Mercado Livre, a edição é de 1987. O segundo volume é do mesmo ano e editora, mas não sei porque me enviaram uma edição diferente, assim que acabar de ler farei a resenha também.

Na verdade, já havia lido esse livro em pdf há mais de 10 anos, logo depois de ler "As Brumas de Avalon". Pesquisando sobre a autora descobri que "As Brumas" são os últimos livros do chamado ciclo de Avalon e os primeiros são os dois livros da "A Queda de Atlântida". Como gostei muito das "Brumas de Avalon" procurei "A Queda de Atlântida" em pdf e encontrei. Não me orgulho muito disso, mas era o que dava pra fazer na época rsrsrs.

O livro conta a história de duas irmãs, Domaris e Deoris, que vivem na ilha da Terra Antiga e são filhas do Sumo Sacerdote Talkannon. Estão destinadas a seguir o caminho da magia, e suas vidas já tem um caminho planejado. Domaris, que é a irmã mais velha, pertence à Casa dos Doze e está sendo treinada para ser uma sacerdotisa. Deoris é muito jovem no começo do livro, mas por sua filiação já se espera que siga os passos da irmã.

Suas vidas vão deixar de ser tão previsíveis com a chegada do atlante Micon, que chega a ilha fugindo dos chamados túnicas negras, que o torturaram tentando obter seu conhecimento mágico. A relação de Domaris e Micon vai alterar toda a estrutura da vida das duas, levando-as a seguirem caminhos diferentes.

Assim como em "As Brumas de Avalon" a história é centrada nas mulheres, e Domaris e Deoris estão sempre divididas entre suas obrigações e seus sentimentos. Mulheres fortes e decididas, como já estamos acostumados a ler nas obras da autora. O desfecho do primeiro deixa aquela ansiedade para o próximo volume.

Marion Zimmer Bradley. A Queda de Atlântida: A Teia de Luz. Tradução: Alfredo Barcellos Pinheiros de Lemos. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1987.