'A Improvável Jornada de Harold Fry' foi o livro enviado pela TAG - Experiências Literárias no mês de março. Um livro suave e encantador, mas que, ao mesmo tempo, carrega mensagens muito fortes.
Harold Fry é um senhor aposentado que vive com sua esposa Maureen em uma cidade no sul da Grã-Bretanha. Sua jornada começa quando ele recebe uma carta de uma antiga amiga de trabalho, que está com câncer em estágio terminal, se despedindo.
A incapacidade de se despedir por uma carta leva Harold a iniciar uma jornada, física e psicológica, pelo seu passado. E, obviamente, isso leva o leitor a fazer uma jornada pelo seu passado também.
O personagem principal é um homem atormentado pelo silêncio que acompanha sua vida desde a infância, pelo rumo insignificante que que ela parece ter tomado e pela dura realidade que se esconde por trás de um casamento aparentemente tranquilo.
É um livro que fala sobre o poder da memória e sobre como muitas vezes ela nos sufoca e engana. Sobre como antigos sofrimentos e amarguras parecem que nunca vão nos deixar. Por outro lado, o papel do esquecimento no funcionamento da memória também está presente na obra. Pequenos detalhes, que no fundo são importantes, parecem se perder, e eventos muitas vezes precisam ser esquecidos para que possamos continuar vivendo.
O mais tocante na história de Harold Fry é a constatação de que a vida sempre continua e constantemente se renova, e de que muitas vezes perdemos tempo demais deixando ressentimentos tomarem conta e silêncios se prorrogarem. A sua jornada é, acima de tudo, um caminho de perdão e cura.
A edição que li foi publicada pela Suma de Letras, selo da Editora Objetiva, e está muito bem feita. As ilustrações são lindas e o mapa no final do livro é muito útil.
Rachel Joyce. A improvável jornada de Harold Fry. Tradução: Johann Heyss. Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2013.







