Não tenho uma forte inclinação para romances, e, talvez, por esse motivo, eu tenha demorado tanto para ler 'Orgulho e Preconceito'. Nem mesmo o filme eu assisti, mas, por ser um clássico, o escolhi para a categoria novela do #desafiolivrada2016.
Pelo pouco que eu tinha visto do filme, pouco mesmo, esperava uma história muito mais desastrosa. Não sei por que, mas na minha cabeça era uma história de amor que não terminava da maneira mais comumente vista nos romances. Obviamente todos sabem que eu me enganei.
É fácil perceber por que a obra está entre os clássicos da literatura, pois o retrato da sociedade inglesa no século XVIII apresentada no livro é muito interessante. Os preconceitos classistas, o incômodo que a ascensão da burguesia comerciante gerava na aristocracia local e, principalmente, o ridículo de certas obrigações e interações sociais.
Lady Catherine incorpora os ideais aristocráticos. Conservadora e autoritária, considera aqueles que não tem uma linhagem nobre inferiores. Já Mr. e Mrs. Gardiner representam uma burguesia comercial que anseia por bons relacionamentos sociais e buscam se adaptar ao que reputam ser os bons modos aristocráticos, mas que nada lhes garante socialmente.
São alguns dos personagens que vão circular em torno do romance principal da obra, Elizabeth e Mr. Darcy, que, por sua vez, vão sofrer as influências desses extremos.
Os personagens são muito bem desenvolvidos ao longo do livro, sem aquele excesso de detalhes e com diálogos que vão apresentando as características de cada personagem progressivamente, o que deixa a leitura agradável e ágil.
É muito difícil escrever sobre um clássico. É fácil encontrar estudos aprofundados sobre a obra e eu, com certeza, não sou uma especialista, sou somente uma entusiasta rsrsrs... O que digo, sem medo de errar, é que se trata de uma obra que trata de muito mais do que um romance, e nos permite ver ter uma boa ideia sobre uma época de tradições e costumes muito distantes da nossa realidade.
PS: A edição que eu li é da coleção Clássicos, da editora Abril. Muito bem feita, capa dura, a diagramação e o tamanho da fonte são confortáveis à leitura e no final tem uma pouco da vida e obra da autora.
Jane Austen. Orgulho e Preconceito.Tradução: Lúcio Cardoso. Editora Abril, São Paulo, 2010.

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