terça-feira, 17 de maio de 2016

Stoner - John Williams


Finalmente resolvi escrever sobre o livro do mês de abril enviado pela TAG Experiências Literárias. "Stoner", escrito por John Williams, relata a vida de um homem de forma simples e encantadora.

Todo mês é aberto um grupo para discussão do livro recebido e este mês eu não consegui participar muito das conversas, pois não pude concordar com a ideia da maioria das pessoas que publicaram comentários lá de que o livro trazia a história de um homem comum.

Longe de ser um homem simples, Stoner saiu do campo para estudar em Oxford, e se apaixonou pela literatura a ponto de largar o curso de Ciências Agrárias e se dedicar a ela. Se tornou professor de Oxford, o que definitivamente não é algo comum. Passou por duas guerras, e, mesmo não tendo ido para o campo de batalha, sofreu com as consequências trágicas desse momento. 

A obra é toda permeada por diplomas éticos, como a questão de ir ou não lutar na guerra, e os jogos políticos dentro da universidade.

Percebi que o que mais irritou os outros assinantes da TAG foi a passividade do personagem em relação às loucuras da sua esposa Edith. Eu também me irritei com a postura dela em diversos momentos, e acho que o Stoner poderia ter evitado várias situações fazendo valer a sua opinião. 

Acho que esse aspecto ressalta outro aspecto incrível do personagem principal: ele escolheu a Edith pra ser sua esposa e, apesar de não conhecê-la muito bem, arcou com as consequências de se casar com ela. Stoner nunca interferiu nas escolhas dela, embora a filha do casal tenha sofrido muito com isso. Isso traz um ar trágico muito interessante para a obra.

Para mim o que o livro tem de simples é a sua escrita, e a leitura flui como se alguém estive sentado ao seu lado contando sua história de vida. Mesmo nos momentos mais difíceis nas últimas páginas, a escrita é leve e agradável.

John Williams, Stoner. Tradução : Marcos Maffei. Editora Rádio Londres, Rio de Janeiro, 2015.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski


Finalmente, depois de mais de um mês, eu terminei de ler "Crime e Castigo". Acho que não é necessário dizer que é um livro incrível, afinal, ele não se tornou um clássico à toa.

Acredito que a minha demora na leitura aconteceu porque o livro foi construído de uma forma muito completa. As primeiras partes da obra, que é dividida em seis partes, se dedicam a mostrar os conflitos internos do personagem principal. A situação econômica do Raskólnikov é assustadora, o que torna a leitura difícil.

Há muitos elementos importantes nesse livro, e ele coloca o leitor diante de dilemas éticos e morais. Como a pobreza em que os personagens estão inseridos. Eu, pelo menos, comecei a torcer pra um criminoso sair impune, e talvez fosse essa a intensão do Dostoiévski.

A obra foi publicada em 1866 e mostra um lado sinistro da sociedade russa daquele período. A pobreza, a prostituição, o alcoolismo, as prisões e os exílios na Sibéria. Eu li a edição da coleção de clássicos da editora Abril, que traz ao final dos dois volumes algumas informações sobre o autor e sobre a obra, fundamentais para compreender o contexto de produção do livro e como ele tem relação com a vida do autor.

Não sei se gosto muito do final. Acho que o livro não podia terminar daquele jeito com todas as discussões que o permeiam. Mas não é algo que chega a tirar o brilho da obra.

Fiódor Dostoiévski. Crime e Castigo. Tradução: Rosário Fusco. Editora Abril, Rio de Janeiro, 2010.

domingo, 3 de abril de 2016

Infância - Graciliano Ramos


Mais um livro lido para o "Desafio Livrada 2016" promovido pelo blog "Livrada" (http://livrada.com.br/2016/01/04/desafio-livrada-2016/), este para a categoria "um romance de formação". A primeira impressão que eu tive foi de muita confusão, e parecia que não fazia muito sentido a maneira como o livro se apresenta.

O autor narra as suas memórias de criança, primeiro vivendo em Alagoas, depois em Pernambuco e posteriormente em Alagoas novamente. É uma história dura, que traz a aspereza do pai do autor, seu primeiro contato com a morte, sua dificuldade em aprender e finalmente como seu encantamento pelos livros surgiu.

Durante toda a leitura estranhei a falta de uma linearidade na narrativa. Os capítulos não têm uma ligação clara e é difícil se localizar temporalmente em alguns momentos. Mas, para a minha alegria, a edição que eu li (não sei se isso está presente em todas), tem um posfácio esclarecedor escrito por Cláudio Leitão.

A obra, inicialmente, foi lançada em capítulos avulsos em um periódico de Alagoas, o que destaca a autonomia relativa de cada um. Por esse motivo, a linearidade da narrativa se perde. É como se o autor estivesse contando uma história da sua infância em cada periódico, como se ele conversasse com o leitor e as memórias fossem surgindo. 

Apesar dessa confusão o livro é muito bonito, a maneira como o autor descreve suas dificuldades na escola é tocante e deixa muito claro o quanto a leitura pode mudar a vida de uma pessoa.

Graciliano Ramos. Infância. Editora Record, 2013.

sábado, 26 de março de 2016

A Improvável Jornada de Harold Fry - Rachel Joyce


'A Improvável Jornada de Harold Fry' foi o livro enviado pela TAG - Experiências Literárias no mês de março. Um livro suave e encantador, mas que, ao mesmo tempo, carrega mensagens muito fortes.

Harold Fry é um senhor aposentado que vive com sua esposa Maureen em uma cidade no sul da Grã-Bretanha. Sua jornada começa quando ele recebe uma carta de uma antiga amiga de trabalho, que está com câncer em estágio terminal, se despedindo.

A incapacidade de se despedir por uma carta leva Harold a iniciar uma jornada, física e psicológica, pelo seu passado. E, obviamente, isso leva o leitor a fazer uma jornada pelo seu passado também.

O personagem principal é um homem atormentado pelo silêncio que acompanha sua vida desde a infância, pelo rumo insignificante que que ela parece ter tomado e pela dura realidade que se esconde por trás de um casamento aparentemente tranquilo.

É um livro que fala sobre o poder da memória e sobre como muitas vezes ela nos sufoca e engana. Sobre como antigos sofrimentos e amarguras parecem que nunca vão nos deixar. Por outro lado, o papel do esquecimento no funcionamento da memória também está presente na obra. Pequenos detalhes, que no fundo são importantes, parecem se perder, e eventos muitas vezes precisam ser esquecidos para que possamos continuar vivendo.

O mais tocante na história de Harold Fry é a constatação de que a vida sempre continua e constantemente se renova, e de que muitas vezes perdemos tempo demais deixando ressentimentos tomarem conta e silêncios se prorrogarem. A sua jornada é, acima de tudo, um caminho de perdão e cura.

A edição que li foi publicada pela Suma de Letras, selo da Editora Objetiva, e está muito bem feita. As ilustrações são lindas e o mapa no final do livro é muito útil.

Rachel Joyce. A improvável jornada de Harold Fry. Tradução: Johann Heyss. Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2013. 

  

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um corpo na biblioteca - Agatha Christie

É o primeiro livro da Agatha Christie que eu li, e é o primeiro de doze. Adquiri recentemente essas lindas caixas do selo 'Nova Fronteira' da Ediouro Publicações, então teremos pelo menos doze resenhas de livros da autora. A edição está bem legal, tanto a caixa quanto o livro são em capa dura. Tem alguns probleminhas, mas comentarei sobre isto depois.


Eu resolvi começar a ler os livros na ordem em que eles vieram nas caixas, porque o TOC não me permite fazer de outra forma rs.


Considerando o sucesso da autora e o fato de que já é de conhecimento geral sobre o que ela escreve, o livro não é surpreendente. Mas é uma obra muito bem escrita, a leitura é fluida, acho que é uma ótima opção pra quando você quer ler algo rápido, ou quer ler algo mais leve para intercalar com uma leitura de uma livro mais complicado. 

E, embora tudo pareça muito previsível, o final é bem surpreendente, e as reviravoltas ao longo da história que tem conduzem de um suspeito a outro são muito bem executadas.

O projeto gráfico do livro e de toda a coletânea é incrível, tirando alguns problemas que passaram despercebidos pelo revisor, como, por exemplo, 'curro' escrito no lugar de 'carro', mas nada que comprometa seriamente a beleza da obra.

Agatha Christie. Um corpo na biblioteca: um caso de Miss Marple. Tradução: Edilson Alkimin Cunha. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2014.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Holy Cow - David Duchovny


Claro que a princípio o que me chamou atenção nesse livro foi o fato de seu autor, o ator David Duchovny, interpretar o agente Mulder na série de TV "Arquivo X", maravilhosa, só pra constar. O meu espanto já começou com as credenciais literárias do David Duchovny, que até então eu desconhecia. Ele é bacharel em Literatura Inglesa pela Universidade de Princeton e mestre em Literatura Inglesa pela Universidade de Yale. Bem impressionante.

O livro conta a jornada da vaca Elsie Bovary, que após descobrir o que os seres humanos fazem com as vacas, decide ir para a Índia, onde as vacas são consideradas sagradas. À sua jornada se unem um porco judeu, que pretende chegar à Israel, e um peru que quer chegar na Turquia. 

Comecei a leitura com um pé atrás, pela sinopse me parecia que o autor ia acabar ofendendo deliberadamente alguns grupos, um porco judeu com toda certeza soa como uma provocação. Mas não é esse o foco do livro.

De forma muito bem humorada o livro vai debochar dos nossos costumes, como por exemplo, a nossa relação com a tecnologia, e o desperdício de alimentos. Ele realmente nos instiga a pensar na nossa relação com os recursos naturais do planeta.

A Elsie não vai somente narrar a sua jornada, mas vai também tecer muitos comentários sobre a própria escrita do livro e fazer boas críticas ao mercado editorial. Referências à cultura pop também não faltam no livro. Vários capítulos têm nome de títulos de música. As ilustrações do livro também são bem legais.


Uma leitura agradável. Só o papel branco que incomoda um pouco, mas como o livro é curto, não chega a ser um grande problema. A edição está bem bonita, a contra capa tem estampa de vaquinha e eu gosto desses pequenos detalhes. Acredito que os fãs do David Duchovny não vão se decepcionar.

David Duchovny. Holy Cow: uma aventura animal. Ilustração: Natalya Balnova. Tradução: Renata Pettengill. Editora Record, Rio de Janeiro, 2016.

terça-feira, 8 de março de 2016

Orgulho e Preconceito - Jane Austen


Não tenho uma forte inclinação para romances, e, talvez, por esse motivo, eu tenha demorado tanto para ler 'Orgulho e Preconceito'. Nem mesmo o filme eu assisti, mas, por ser um clássico, o escolhi para a categoria novela do #desafiolivrada2016.

Pelo pouco que eu tinha visto do filme, pouco mesmo, esperava uma história muito mais desastrosa. Não sei por que, mas na minha cabeça era uma história de amor que não terminava da maneira mais comumente vista nos romances. Obviamente todos sabem que eu me enganei.

É fácil perceber por que a obra está entre os clássicos da literatura, pois o retrato da sociedade inglesa no século XVIII apresentada no livro é muito interessante. Os preconceitos classistas, o incômodo que a ascensão da burguesia comerciante gerava na aristocracia local e, principalmente, o ridículo de certas obrigações e interações sociais.

Lady Catherine incorpora os ideais aristocráticos. Conservadora e autoritária, considera aqueles que não tem uma linhagem nobre inferiores. Já Mr. e Mrs. Gardiner representam uma burguesia comercial que anseia por bons relacionamentos sociais e buscam se adaptar ao que reputam ser os bons modos aristocráticos, mas que nada lhes garante socialmente.

São alguns dos personagens que vão circular em torno do romance principal da obra, Elizabeth e Mr. Darcy, que, por sua vez, vão sofrer as influências desses extremos.

Os personagens são muito bem desenvolvidos ao longo do livro, sem aquele excesso de detalhes e com diálogos que vão apresentando as características de cada personagem progressivamente, o que deixa a leitura agradável e ágil.

É muito difícil escrever sobre um clássico. É fácil encontrar estudos aprofundados sobre a obra e eu, com certeza, não sou uma especialista, sou somente uma entusiasta rsrsrs... O que digo, sem medo de errar, é que se trata de uma obra que trata de muito mais do que um romance, e nos permite ver ter uma boa ideia sobre uma época de tradições e costumes muito distantes da nossa realidade.

PS: A edição que eu li é da coleção Clássicos, da editora Abril. Muito bem feita, capa dura, a diagramação e o tamanho da fonte são confortáveis à leitura e no final tem uma pouco da vida e obra da autora.

Jane Austen. Orgulho e Preconceito.Tradução: Lúcio Cardoso. Editora Abril, São Paulo, 2010.


sexta-feira, 4 de março de 2016

A Queda de Atlântida - A Teia de Trevas / Marion Zimmer Bradley


" As trevas podem ensinar coisas que a luz nunca viu e nunca será capaz de ver..."


Segundo volume da obra, mais difícil de parar de ler do que o anterior, e, ao mesmo tempo deixa aquela sensação de "que pena que acabou" no final.

Embora o livro trate da força feminina, as personagens sejam independentes, fortes, e façam suas escolhas livremente, o livro vai tratar também de como essas mulheres tomam decisões tolas e impensadas por amor, tanto em suas relações com os homens quanto na relação entre elas. E as consequências de suas escolhas vão reverberar por várias gerações, unindo o carma de todos os personagens.

Uma das coisas que mais me chamou atenção no livro é a forma como a magia é tratada. Não é simplesmente um dom sobrenatural concedido a algumas pessoas, é a capacidade de controlar sua própria força psíquica. E essa capacidade é trabalhada ao longo da vida, com estudos e trabalho árduo.

Tantas coisas são abordadas nesse livro, questionamentos sobre a maternidade, as injustiças de uma sociedade dividida em classes, uma série de sofrimentos femininos físicos e mentais. Mas não quero escrever muito porque eu não gosto de dar spoilers.

As palavras da autora no posfácio encerram lindamente a obra. Ela conta como construiu, desde a infância, esse universo fantástico na sua cabeça. E nos deixa com uma indagação interessante: De onde vêm os sonhos?


Marion Zimmer Bradley. A Queda de Atlântida - A Teia de Trevas. Tradução: Alfredo Barcellos Pinheiro de Lemos. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1987.

terça-feira, 1 de março de 2016

A Queda de Atlântida - A Teia de Luz / Marion Zimmer Bradley


Mais um dos livros do #desafiolivrada2016, lido para a categoria um livro esgotado. É uma obra em dois volumes, e este é o primeiro. O segundo é "A Teia de Trevas". Eu não sei quando este livro foi lançado pela última vez, mas, pelo o que eu procurei, não há muitas edições dele. Este eu comprei no Mercado Livre, a edição é de 1987. O segundo volume é do mesmo ano e editora, mas não sei porque me enviaram uma edição diferente, assim que acabar de ler farei a resenha também.

Na verdade, já havia lido esse livro em pdf há mais de 10 anos, logo depois de ler "As Brumas de Avalon". Pesquisando sobre a autora descobri que "As Brumas" são os últimos livros do chamado ciclo de Avalon e os primeiros são os dois livros da "A Queda de Atlântida". Como gostei muito das "Brumas de Avalon" procurei "A Queda de Atlântida" em pdf e encontrei. Não me orgulho muito disso, mas era o que dava pra fazer na época rsrsrs.

O livro conta a história de duas irmãs, Domaris e Deoris, que vivem na ilha da Terra Antiga e são filhas do Sumo Sacerdote Talkannon. Estão destinadas a seguir o caminho da magia, e suas vidas já tem um caminho planejado. Domaris, que é a irmã mais velha, pertence à Casa dos Doze e está sendo treinada para ser uma sacerdotisa. Deoris é muito jovem no começo do livro, mas por sua filiação já se espera que siga os passos da irmã.

Suas vidas vão deixar de ser tão previsíveis com a chegada do atlante Micon, que chega a ilha fugindo dos chamados túnicas negras, que o torturaram tentando obter seu conhecimento mágico. A relação de Domaris e Micon vai alterar toda a estrutura da vida das duas, levando-as a seguirem caminhos diferentes.

Assim como em "As Brumas de Avalon" a história é centrada nas mulheres, e Domaris e Deoris estão sempre divididas entre suas obrigações e seus sentimentos. Mulheres fortes e decididas, como já estamos acostumados a ler nas obras da autora. O desfecho do primeiro deixa aquela ansiedade para o próximo volume.

Marion Zimmer Bradley. A Queda de Atlântida: A Teia de Luz. Tradução: Alfredo Barcellos Pinheiros de Lemos. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1987.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Terra Vermelha - Domingo Pellegrini


Terceiro livro lido para o #desafiolivrada2016, este para a categoria "um livro de um autor do seu estado". Sou paranaense, da região norte, onde se passa a história do livro, então não tinha opção melhor. Um romance histórico e um mito de origem ao mesmo tempo.

Mesmo não sendo londrinense, não tinha como não me identificar com o livro, com seus personagens e lugares. Quem vive nessa região, com certeza, já ouviu uma história semelhante, dos seus avós ou bisavós que vieram "colonizar" a região, derrubar a mata para fazer cafezal.
Pellegrini conta a saga do povoamento da região norte do Paraná pela vida do casal José e Tiana, que vieram do interior de São Paulo para a chamada "terra-vermelha", motivados pela promessa de uma vida melhor, como muitos fizeram.

O autor descreve os acontecimentos, de forma grandiosa, é fácil identificar figura conhecidas, sobrenomes famosos, mesclando a história do município com a história do Brasil. Um pouco cansativo no excesso de detalhes, mas ainda assim, gostoso de ler.

O autor aborda também questões políticas importantes, o esvaziamento do campo e o aumento de favelas na cidades, as questões ecológicas que a derrubada da mata acarretou. Tudo permeado pelo angústia da morte iminente do personagem principal. 

Uma história muito bonita. Para quem vive aqui traz uma série de sentimentos, muitas vezes vi meus avós nos personagens do livro, mas que, com toda certeza, é um grande romance para ser apreciado por pessoas de qualquer lugar.

PELLEGRINI, Domingos. Terra Vermelha. Editora Leya. São Paulo, 2013.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Desonra - J.M. Coetzee


Desonra é o livro que recebi esse mês pela TAG - Experiência Literaria (http://www.taglivros.com/), que funciona assim: você assina a Tag e todo mês uma caixinha vai chegar na sua casa, contendo um livro, uma revista e mais algumas coisas relacionadas ao livro e ao autor. O divertido é que os temas são bem variados e eles só divulgam algumas pistas sobre o livro escolhido, que é sempre uma surpresa. Vale a pena dar uma conferida.

O autor é o ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2003, J. M. Coetzee, e o livro é daqueles que te deixam inquieto, pensando na condição humana e suas mazelas.

Ele conta a história do professor David Lurie e, é claro, de suas desonras, que não são poucas. David está tentando se encontrar na nova realidade em que se encontra a África do Sul após o apartheid, novos valores, novos problemas, novos enfrentamentos.

Costumamos ouvir sobre os grandes momentos da humanidade, a queda do muro de Berlim, as bombas nucleares no Japão, o fim do apartheid, mas dificilmente ouvimos sobre o que aconteceu com as pessoas que viveram esses momentos, como isso afetou suas vidas, não só imediatamente após os acontecimentos, mas ao longo do tempo, como reconstruíram sua vivência em sociedade.

Mesmo como estudante de história, esse tema nunca foi abordado durante a minha graduação. Como o fim do apartheid afetou a todos? Sabemos que isso colocou fim à segregação racial, ótimo, mas como ficam as pessoas nessa nova realidade? A ordem social existente sofreu uma mudança e todos precisaram se adaptar a ela e também enfrentá-la.

O professor David vai sentir na pele essas mudanças, no comportamento dos seus colegas de trabalho, nas relações entre as pessoas e também na violência que se espalha nas áreas rurais da África do Sul naquele momento.

Para mim o livro aborda também a relação entre as expectativas que temos sobre nós mesmos e as pessoas a nossa volta, que pode, muitas vezes, não coincidir com a realidade. Às vezes esperamos determinados comportamentos de pessoas que nos são queridas, mas elas vão agir da maneira que querem, que julgam correta e muitas vezes só nos cabe ser espectadores. 

COETZEE, J.M.Desonra. Tradução: José Rubens Siqueira.Editora: Companhia das Letras. São Paulo, 2000.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Dexter Está Morto - Jeff Lindsay (Atenção: contém alguns spoilers)


Minha primeira reação ao terminar esta leitura foi me perguntar: pode um livro ser bom e ruim ao mesmo tempo?

Vou começar pelo o que eu achei bom. Primeiro preciso explicar que eu adoro ler sobre serial killers, reais e fictícios,e, baseada em algumas leituras que já fiz sobre o tema, eu tinha em mente o que eu gostaria que acontecesse com o Dexter no final da série, aquilo que eu considerava lógico. 

Neste ponto o livro não foi decepcionante, acho que o autor se manteve coerente. Assim como nos outros livros, a história é narrada pelo próprio Dexter e a ele só interessa os seus próprios problemas. Ele não se importa com o que acontece com os outros personagens ao seu redor. Mesmo na sequencia final, quando ele precisa resgatar seus filhos e seu sobrinho, a motivação dele é salvar a própria pele. É a atitude que eu esperava de um serial killer.

O ruim é que o livro acaba de forma abrupta, deixando os leitores, pelo menos eu, com muito curiosidade. Eu consigo compreender a intenção do autor de não comprometer a coerência da história respondendo algumas perguntas que ficam soltas, mas fica aquele sensação de eu preciso saber mais. 

Falando um pouco sobre a edição do livro, da editora Planeta. A capa e a jacket são muito bonitas. Entretanto, fica evidente que a diagramação teve que dar uma colaborada para que o livro tivesse trezentas e poucas páginas. Capítulos terminando no começo da página e o inicio de cada capítulo ocupando grande parte da próxima página deixam isso bem óbvio.

Enfim, eu esperava mais do livro, mas não chegou a ser uma completa decepção. O destino do querido e adorado Dexter é coerente, mas não é satisfatório.

LINDSAY, Jeff. Dexter Está Morto. Editora Planeta, 2015.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O Iluminado - Stephen King



Foi uma das poucas vezes em que eu consegui ler um livro depois de ver o filme e consegui construir imagens para os personagens diferentes dos atores que interpretaram os papéis no cinema. A forma como os personagens são descritos no livro dão essa possibilidade, é um livro tão bem escrito, não li nada do Stephen King que não fosse, que vai aos poucos apagando a imagem cinematográfica que você pode ter da história.

Como dissociar o livro do filme é difícil, vou começar já falando sobre isso. Eu acho o filme bom, mas a história não funciona tão bem nesse veículo e por isso a adaptação acaba ficando pobre. Na imaginação do leitor alguns dos acontecimentos do livro se tornam mais plausíveis, como, por exemplo, topiarias que ganham vida e uma festa de fantasmas. As coisas podem acabar pendendo pra um lado meio cômico no meio visual, e acho que isso explica um pouco o porquê das diferenças ente o filme e o livro. É preciso criar um roteiro viável.

O livro, com certeza, é muito mais assustador que o filme. Pra quem não conhece a história, Jack, Wendy e o filho deles, Danny, vão passar o inverno no hotel Overlook. O hotel, onde Jack vai trabalhar como zelador, permanece fechado no inverno, e tem suas histórias e seus fantasmas do passado, que, combinados com o isolamento da família e as habilidades especiais de Danny, vão criando uma situação catastrófica. É tudo o que você pode esperar de um bom livro de terror.

Dizem que a produção do filme causou desentendimentos entre Stanley Kubrick e Stephen King, já que o diretor não gostou e não usou o roteiro criado por King para o filme e o escritor não teria gostado da atuação de Jack Nicholson e do próprio filme. A Wendy do filme também não agradou Stephen King.

A parte ruim da leitura ficou por conta da edição pelo selo "Suma de Letras" da Editora Objetiva. Pelo menos o exemplar que eu tenho apresentou alguns problemas: algumas páginas se soltaram e em uma página apareceu o mesmo nome duas vezes escrito de duas formas diferentes.

Tirando estes pequenos problemas o livro é excelente, e, se você já viu o filme, leia e o livro e tenha gratas surpresas.

KING, Stephen. O Iluminado. tradução Betty Ramos de Albuquerque. Editora Objetiva, 2012.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Casa das Sete Mulheres - Letícia Wierzchowski


Segundo livro que eu leio para o desafio 'Livrada 2016'. Este para a categoria número 8: uma ficção histórica.

Claro que não tem como ler esse livro sem se lembrar da minissérie com o mesmo título produzida pela Rede Globo em 2003. Mesmo que a descrição das características físicas dos personagens no livro, muitas vezes, seja distante da fisionomia dos atores que os interpretaram, é impossível dissociar o ator do personagem. Por exemplo: no livro Manuela tem cabelos pretos, mas durante toda a leitura a imagem que sempre vinha à minha mente quando se tratava dela era a da atriz Camila Morgado com aquele cabeleira ruiva.

Vale lembrar que a minissérie é uma adaptação da história do livro, logo, não é fiel ao texto do livro. Na TV a trama gira em torno dos amores das mulheres mais novas da família de Bento Gonçalves, permeada por várias cenas de guerra. Os românticos que me desculpem, mas muitas vezes a história da minissérie fica até mesmo inverossímil. O comportamento das garotas, muitas vezes, não condiz com o período em que a história se passa. O livro tem um cuidado maior nesse sentido.

O livro é delicado, trata das angústias da espera dessas mulheres, aguardando seus maridos, pais, irmãos, primos. Os romances são tratados de forma sútil e delicada e não são o mais importante da obra. Mesmo o romance de Manuela e Garibaldi é sutil, e o foco é a espera, a ação do tempo sobre os membros da família e o convívio diário com efeitos da guerra.

Ao contrário do que acontece na minissérie, a Estância da Barra não era um lugar movimentado, sempre recebendo os generais, capitães e soldados. As notícias são poucas, chegam em longos intervalos. O destino de cada uma das mulheres depende da maneira que encontram para lidar com a solidão de todos aqueles anos de espera.

Wierzchowski, Letícia. A cada das sete mulheres. Editora Record, 2010.

Participe do desafio livrada:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Peanuts Completo - Charles Schulz


Foi lançado recentemente aqui no Brasil o oitavo volume da série Peanuts Completo. No Brasil, a série, que passou a ser publicada em 2009, tem, no total, 25 volumes, e cada volume traz as tirinhas publicadas em dois anos. O oitavo volume abrange as tirinhas publicadas nos anos de 1965 e 1966.

Cada volume da série tem a introdução escrita por um autor diferente, que conta a sua relação com os quadrinhos e os personagens da série. Neste volume a introdução foi escrita por Hal Hartley, cineasta e roteirista norte-americano.

O único problema é aguardar o lançamento de cada novo volume em um intervalo de alguns meses. A L&PM publica os volumes avulsos e também, para os que aguentam esperar, em box de dois volumes. A notícia boa é que ainda teremos Peanuts por alguns anos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dexter em Cena - Jeff Lindsay


Eu comecei a ler esse livro em 2014,e, por razões que eu desconheço, abandonei a leitura do querido e amado Dexter. Acho que eu não queria que ele acabasse. E, dezembro do ano passado, passeando por uma livraria, encontrei o oitavo livro da série, 'Dexter está Morto'. E daí não teve jeito. Tive que voltar a ler o 'Dexter em Cena'.

O que pode ser dito sem dar spoiler, está escrito naquela sinopse atrás do livro. Dexter e sua irmã Deborah recebem a missão de orientar dois atores de TV que vão gravar um seriado policial em Miami. Deborah fica encarregada de instruir a famosa atriz Jackie Forrest e Dexter precisa ensinar ao ator Robert Chase o possível sobre o trabalho forense que ele desenvolve, levando em conta que Dexter examina borrifos de sangue e o ator em questão não suporta ver sangue.

Claro que a trama vai envolver esses astros.

Eu sou muito fã da série e é difícil dizer o que vou dizer agora, mas vamos lá. Este sétimo livro é um pouco tedioso. Demora muito, muuuito, para que alguma coisa comece a acontecer. E é muito difícil também ver o Dexter sendo tão paspalho. Não é o que eu espero de um serial killer. Acho que até o Passageiro Sombrio se cansou do Dexter neste livro.

Em determinados momentos as conversas internas de Dexter ficam muito cansativas. Parecem até desnecessárias. Outros personagens são pouco explorados, mas, também, acredito que a concentração da narrativa somente no Dexter, principalmente nos seus pensamentos, tenha um objetivo. No final do livro isso começa a fazer algum sentido, mas em alguns momentos cansa.

Aquele ritmo acelerado, que costuma aparecer nos outros livros, vai aparecer nas 80 ou 100 páginas finais, que são páginas realmente excelentes, de tirar o fôlego. O final é realmente surpreendente, vale a pena mesmo. Acredito que a história caminha par aquilo que eu sempre achei que é o final que o Dexter merece.


Lindsay, Jeff. Dexter: em cena; tradução: Solange Pinheiro. Editora Planeta, 2013

domingo, 31 de janeiro de 2016

Casei. E Agora? - Tatiana Amaral e o #desafiolivrada2016

Me aventurei a ler este livro inspirada pela categoria 'um livro bobo' do #desafiolivrada2016 (para saber mais sobre o desafio procure o blog ou o canal Livrada). Não que seja fácil definir se um livro é bobo ou não somente pelo título. Escolhi este principalmente pelo fato de ter casado a pouco tempo e ele estar disponível no Kindle Unlimited, que assinei recentemente.

O livro conta a jornada de Cléo, brasileira que vive nos Estados Unidos e que fez um acordo um tanto quanto estranho com seu namorado: ficarem um mês separados antes de casar. Cléo viaja com um grupo de amigas para Las Vegas e acaba se casando com outro homem em uma noite de bebedeira.

Nada de novo, uma premissa bem aceitável para um romance. Não me interessa aqui contar pormenores da obra, até porque espero que ele seja lido por outras pessoas. 

Esta leitura me trouxe alguns questionamentos. Este é um livro, obviamente, destinado ao público feminino, e me impressionou a ideia de homem e de relacionamento que ele vende. Tantos anos de debates sobre os esteriótipos de mulher perfeita divulgados pela mídia, de todos os tipos, deveriam ter influenciado a maneira como descrevemos o homem perfeito também. 

O homem com quem ela acidentalmente se casa em Las Vegas é descrito, pela própria autora, como um deus grego. Ele tem o corpo perfeito, as palavras perfeitas, os gestos perfeitos,conta bancária perfeita também, até mesmo quando ele a maltrata, de alguma forma, há algo de perfeito nele. É um pouco irritante.

Por mais babaca que seja alguém que propõe um mês de solteirice antes do casamento, fica difícil competir com um deus grego.

Será que um relacionamento perfeito é tão simples assim? Passar alguns dias com uma pessoa em lugares descritos como paradisíacos? Parece fácil demais. Claro que se você se propõe a ler um livro romântico não quer ler sobre pequenos desgastes cotidianos, afinal, de realidade já basta a que vivemos... rsrsrs 

A leitura do livro de forma geral é agradável, com um certo exagero no uso de palavras como ofegar, gemer, arfar, mas que é relevável. Para mim a pior crítica que pode ser feita ao livro é o seu final. Quando tudo leva a crer que a mocinha da história aprendeu algo significante para a sua vida, amadureceu e aprendeu a fazer suas próprias escolhas, surgem alguns anexos que são simplesmente de tirar do sério. Não vou contar. Leiam.

Um outro ponto negativo, pelo menos na versão que eu li, virtual, foram os erros que apareceram ao longo do livro, como algumas letras faltando, outras palavras se repetindo.
No fim das contas não acho que qualquer livro se encaixe na categoria bobo. Toda leitura é útil e nenhum esforço empreendido em escrever uma obra deve ser desconsiderado.